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Carla Maria Quintão Pereira

Coordenadora do curso de Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica na FCT NOVA

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Dada a utilidade da Engenharia Biomédica para a saúde, considera que neste ramo da Engenharia, as softskills serão mais relevantes que nas outras engenharias?

«Actualmente, possuir boas capacidades de comunicação, ser pró-activo e abarcar conhecimentos em diferentes áreas, são qualidades essenciais para se ter sucesso em qualquer profissão. Quando, como é o caso do Engenheiro Biomédico, se exige o contacto com interlocutores de diferentes formações; a proximidade com doentes; e a necessidade de agir em diversos cenários, uma boa formação no que se denomina por softskills é imprescindível.

Para se ser um Engº Biomédico completo é necessário: Um bom domínio da linguagem tanto oral como escrita e abarcar conhecimentos em diferentes áreas, uma vez que se espera que seja, muitas vezes, o elemento de ligação entre equipas constituídas por profissionais de diversas proveniências. Ter a sensibilidade e a conduta ética necessárias para lidar com doentes que se encontram, em alguns casos, em situações de debilidade. Ter presente que o seu saber deve estar, como em qualquer profissional de saúde, ao serviço da melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.»

Tendo em conta o vasto programa de formação de um Engenheiro Biomédico, em que medida é que a sua intervenção na área da Saúde pode constituir uma vantagem para o seu avanço?

«A diversidade de áreas de formação dos Engenheiros Biomédicos dota-os da versatilidade, da capacidade de adaptação e da criatividade necessárias para encontrar respostas para os problemas que a área da saúde lhes propõe.

Os Engenheiros Biomédicos são, sem dúvida, peças fundamentais na Medicina actual. Com o crescente papel da tecnologia, é cada vez mais necessária a existência de profissionais com formação em engenharia, que garantam a qualidade dos equipamentos; ajudem na gestão de recursos; encontrem soluções tecnológicas adaptadas aos doentes; em suma, projectem, construam e apliquem ferramentas inovadoras na actividade clínica. Com o aumento da esperança de vida, aliada ao conceito de que saúde não implica apenas a ausência de doença, mas implica também garantir uma boa qualidade de vida aos cidadãos, é essencial que haja profissionais, como os Engenheiros Biomédicos, capazes de compreender os desafios colocados pela área da saúde e sugerir soluções à altura desses mesmos desafios.»

João Veloso

Diretor de curso do MIEB na Universidade de Aveiro


Na opinião do Professor João Veloso, que papel têm as inovações tecnológicas na medicina? Que vantagens o desenvolvimento tecnológico traz ao exercício da profissão de médico e como os engenheiros biomédicos fazem parte desse processo?

«O aumento da qualidade de vida humana e da esperança média de vida, que se tem acentuado nas últimas décadas, foi fortemente impulsionado pelo grande esforço colocado na inovação tecnológica na área da engenharia biomédica, a qual, disponibiliza aos médicos ferramentas únicas que possibilitam a realização de diagnósticos de patologias em estado precoce e soluções terapêuticas eficazes para o seu combate. Para que esta inovação funcione é necessário envolver os diferentes atores da área da saúde e da engenharia, tendo em conta o caráter multi- e inter-disciplinar das áreas tecnológicas envolvidas. Uma consciência de partilha e de empenho entre médicos e engenheiros/biomédicos tem sido a chave para o sucesso na investigação, desenvolvimento e implementação destas soluções tecnológicas inovadoras, que em muito contribuem para a cura da doença ou para a sua mitigação.»