Rui André Azevêdo

Aluno de Engenharia Biomédica | 2º ano

Entrevista feita no ano-letivo 2018/2019

Qual a tua opinião geral sobre o curso?

«O curso é bastante exaustivo, nomeadamente devido à elevada quantidade de áreas que aborda e, enquanto alunos, é-nos exigida a capacidade de os relacionar. No entanto, é isso que lhe confere beleza: percebemos como várias áreas se interligam, mesmo que não o aparente a olho nu. No fim do dia, não entendemos apenas aquilo que é inerente à nossa área, mas adquirimos uma visão muito abrangente da forma como o mundo à nossa volta funciona.»

Achas que existe grande competitividade entre os estudantes de Engenharia Biomédica na FCT ou consideras que existe um espírito de entre ajuda?

«Creio que a competitividade que existe é saudável. O ambiente da FCT, no geral, é bastante reconhecido, e o ambiente em Engenharia Biomédica dentro desta instituição é tido como referência. O espírito de entreajuda e de aprendizagem coletiva é algo muito permanente e que nos é incutido desde cedo pelos alunos mais velhos desde o primeiro momento em que ingressamos no curso.»

Não seria a competitividade também importante para que todos se esforçassem mais, e assim, acabariam todos por ter melhores resultados?

«Claro que um pouco de competição é sempre saudável, mas neste caso observa-se mesmo que grande parte dos bons resultados que somos capazes de atingir não advém de encararmo-nos enquanto “inimigos” ou “oponentes”, mas sim enquanto colegas que se ajudam e apoiam nas mais variadas instâncias. A partilha de apontamentos, resoluções, bibliografia e tantas outras coisas é permanente entre membros de um mesmo ano letivo e também entre anos letivos. Não revogamos nem somos revogados.»

E as amizades que aqui se formam? Consideras que sejam “para a vida”?

«Algumas pessoas são passageiras, como tudo na nossa vida. Apesar de tudo, é possível dizer que uma grande porção das amizades que aqui se criam, se não são “para a vida”, então são para uma boa parte dela.»

O que pensas acerca das unidades curriculares aqui lecionadas, consideras que poderiam haver alterações? Achas que estás a ser bem preparado para o mercado de trabalho?

«A parte boa deste curso na FCT é que temos de desenvolver vários projetos ao longo do curso, o que nos permite ter um contacto (ainda que pouco) com a realidade que se avizinha no fim do curso. Naturalmente, nada é perfeito, e algumas alterações poderiam ser efetuadas, mas no geral o plano curricular é bem organizado e permite que possamos ter uma formação sólida nas várias áreas que o curso abrange.»

Como vês o Engenheiro Biomédico dentro de 20 anos?

«O futuro enquanto engenheiro biomédico é um pouco incerto, não pela incerteza de emprego (que no geral não é uma preocupação), mas sim pelas várias tarefas e áreas que sabemos dominar. Com os avanços da tecnologia, sem dúvida que este ramo da engenharia será cada vez mais necessário devido à versatilidade, adaptabilidade e elevado grau de conhecimento que nos é conferido enquanto alunos durante o curso, e é isso mesmo que nos destaca de tudo o resto.»

Pedro Silva

Aluno de Engenharia Biomédica | 4º ano

Entrevista feita no ano-letivo 2018/2019

Achas que existe grande competitividade entre os estudantes de Engenharia Biomédica na FCT ou consideras que existe um espírito de entreajuda?

«Não existe, de todo, competitividade. A minha experiência, principalmente no meu ano, é que nos ajudamos uns aos outros: se alguém tem algum recurso que possa ser útil aos restantes, essa pessoa partilha sem pensar duas vezes.»

Não seria a competitividade também importante para que todos se esforçassem mais, e assim, acabariam todos por ter melhores resultados?

«Não acho. Mesmo num ambiente de colaboração, se tu vês o teu colega a sair-se melhor que tu, perguntas-te: “Se nos estamos a ajudar mutuamente, porque é que ele está melhor que eu? Eu quero conseguir chegar ao mesmo patamar que ele”. Acho que não é preciso haver competição para se atingir objetivos. Basta veres um colega teu melhor que tu para quereres ser melhor e te esforçares, sem ser preciso haver um clima de competição.»

E as amizades que aqui se formam? Consideras que sejam “para a vida”?

«Sim, sim, sem dúvida. Sempre me disseram que as amizades feitas na faculdade são para a vida e, sem dúvida, que há muitas que o serão.»

O que pensas acerca das unidades curriculares aqui lecionadas, consideras que poderiam haver alterações? Achas que estás a ser bem preparado para o mercado de trabalho?

«Nunca pensei muito sobre este assunto… Em termos de bases e cadeiras que tivemos na licenciatura, não sinto que falte alguma cadeira. Não sei se vou poder dizer o mesmo do mestrado, espero que sim. Em relação a estar preparado para o mercado de trabalho, sinceramente, neste momento, não sinto que esteja, de todo. Gosto da ideia de CTCT (Competências Transversais para Ciência e Tecnologia, uma cadeira que aborda soft skills, como preparação para a entrada no mercado de trabalho) mas acho que está aplicada demasiado cedo.»

Como vês o Engenheiro Biomédico dentro de 20 anos?

«Penso que, com cada ano que passa, percebemos e vemos cada vez mais notícias sobre biomédica, cada vez mais dispositivos a serem criados. Pelo menos neste momento a biomédica continua em crescimento e é sem dúvida uma área a investir do ponto de vista empresarial. Do ponto de vista dum estudante, estou muito contente por ter escolhido biomédica, e estou a adorar a experiência. Daqui a 20 anos acho que a nossa preponderância será maior, mas a nossa margem de evolução e crescimento de emprego será menor.»